Tapirai

Meu nome é Victor Silveira. Sou fotógrafo por hobby e naturalista amador por paixão.


Nasci em Tapiraí, pequena cidade encravada na Mata Atlântica, no alto da serra do Paranapiacaba.


Meu bisavô se encantou com um pedaço de sertão no interior de São Paulo, numa de suas vindas de Santa Catarina para a festa de Bom Jesus de Iguape. Comprou 1.000 alqueires de mata, migrou com a família e montou uma serraria. Por conta dessa serraria, meus pais, que também vieram de Santa Catarina, se conheceram, casaram e eu vim ao mundo. Esta casa, na foto que abre a página é a casa original construída pelo vovô Regis e onde moro atualmente.


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Minha infância e juventude se dividiram entre Niterói, São Paulo e Curitiba; mas, as ansiosamente esperadas férias escolares eram sempre em Tapiraí. Aqui eu me sentia livre e poderoso com o meu estilingue percorrendo as picadas abertas na mata pelos palmiteiros. Pescava meus bagres, lambaris e carás no ribeirão das Ostras, que tinha ostras de água doce e pés de agrião (de sabor ardido) que nasciam naturalmente e se deitavam adejando na corrente. Ou ia para o Belchior, de onde vinham as toras de madeira para a serraria e onde eu passava as noites em uma cama de varas, ao lado de uma fogueira num rancho de sapê, quase sem dormir; tal era o barulho que faziam os animais na mata. Era muito excitante para um garoto que morava na cidade grande. E toda fauna e flora da Mata Atlântica se imprimiram em mim, e me fizeram amar e me sentir parte dessa parte do mundo.


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Há alguns anos entrei com uma ação contra a Prefeitura por despejo ilegal de lixo. Isso acabou gerando uma polêmica sobre denúncias de crimes ambientais, o que atraiu a atenção da rede Globo (que me entrevistou) e da TV Cultura, cujo programa ECO REPORTER fez duas matérias que ajudaram a conseguir uma liminar na justiça e aplicação de multa contra a Prefeitura, que estava despejando o lixo da cidade (inclusive o hospitalar) na mata primária. Não era um aterro sanitário. Era mata virgem. Eu tinha que fazer alguma coisa. E deu resultado.


Então, por força das circunstâncias, vim viver em Tapiraí e procurei uma forma positiva de promover a preservação das riquezas do lugar.


Pensei em fotografar as flores da região. Utopia. Coisa impraticável. Como é que eu ia saber o que estava registrando se a maior parte das plantas da Mata Atlântica nem sequer foi ainda descrita? Aí pensei: orquídeas. Orquídeas têm registro. São catalogáveis. E saí em busca de informações. E, a maior parte dessas informações sobre as nossas orquídeas eram estrangeiras.


Orchidaceae Brasilienses

Um dia, pesquisando nos sebos, consegui comprar uma obra rara editada na Alemanha em 1977 e escrita por dois naturalistas brasileiros (Fritz Dungs e Guido F. J. Pabst). Chama-se “Orchidaceae Brasilienses” e foi onde obtive a maior parte das informações divulgadas neste site. A obra, em dois volumes, descreve e ajuda a classificar as espécies de orquídeas brasileiras. E para classificar as orquídeas tive que desmontar e desenhar as partes dos espécimes coletados para poder comparar aos desenhos do livro, e assim, descobrir de que gênero e de que espécies eram. Por isso na galeria de fotos também estão algumas pranchas em aquarela.